Para mim, é óbvio que a homossexualidade é algo de inerente à natureza do indívuo e, por isso, perfeitamente natural (perdoem-me a repetição), não é nada contra-natura, não é uma invenção pérfida de alguns. Atenção, não acho que seja "normal" ou "comum", ou seja, acho que é uma natural excepção à regra, tal como também o são os canhotos e os albinos, por exemplo. Seja como for, para mim a homossexualidade não é uma doença, embora não consiga explicar bem o que é, dadas as imensas condicionantes extremamente interdependentes e interinfluentes que a compõem e determinam, genéticas, congénitas e culturais.
Mas suponhamos, por mera hipótese académica, que a homossexualidade é, de facto, uma doença de nascença, tal como o são a bipolaridade, a epilepsía, ou outras de que agora, por falta de tempo por estar a escrever no trabalho, não me lembro.
Porque raio é que, na igreja católica, não pode um "doente homossexual" ser ordenado padre? Pode ser por ignorância minha, mas creio que nenhuma outra doença que impeça o discernimento das pessoas sejam entraves à ordenação de um homem como padre. Ora, se assim é, porque não ordenar padres homossexuais? Não estão eles, afinal de contas, obrigados ao celibato? Mesmo que a igreja católica condene a homossexualidade, que de facto condena, não deveria estar aberta àqueles que, sendo-o (por doença, não esqueçamos a hipótese que estamos a pôr) mas lutando contra ela, tenham uma vocação e uma fé tais que, tirando o facto de serem doentes, fariam deles excelentes padres?
Eu sou sinceramente respeitador da doutrina da igreja no que ao casamento entre pessoas do mesmo sexo concerne: acho que, dentro dos seus dogmas e conceitos, é perfeitamente legítimo que se considere como impossível a consagração do matrimónio entre pessoas do mesmo sexo - quem não é católico não tem nada que meter bedelho nisso, TAL COMO A IGREJA NÃO TEM NADA QUE METER BEDELHO NO QUE AO CASAMENTO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO CONCERNE. Mas recuperemos o raciocínio. A doutrina católica não permite o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo; se os padres se pudessem casar, tudo bem que não se pudessem ordenar padres que se quisessem casar com outro homem. Mas, mesmo nessa hipótese, não poderia um homossexual, dada a sua crença, vocação e fé, conformar-se com tal situação e, por isso, ser ordenado padre?
Ou seja, qualquer pessoa que enferme de doença que não a diminua mentalmente pode ser padre, mas os doentes homossexuais não.
Alguém me consegue explicar isto, por favor?
Há 11 anos