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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Eclipse (Blargh!!!)

No IMDB veio esta crítica ao novo capítulo da inenarrável saga Twilight, desta feita de nome "Eclipse". Fiquei maravilhado, pelo que a reproduzo aqui.

«Trash, 9 July 2010

Author: missionbegins2011


i went to see this piece of crap (why?????) on behest of my girlfriend (felt like dumping her after coming out), honestly i thought i would never survive this movie (glad to be alive), when i was made to see new moon i thought a movie cant be trashier then this (cant believe it made 700m$ worldwide) but i was wrong eclipse has surpassed it all (looking at the current box office no wonder this will come close to that mark too !!!!!,so sad) no story , poor CGI , pathetic acting by pattinson (only convincing thing about him is he actually looks like a vampire, and he literally sucked my blood too through the movie), kristen stewart is reallllly dumb, and irony is i saw this just after i had unbelievably great time watching good ol' cruise doing his mission impossible kinda act in knight and day , i had such a bad hangover of eclipse that i had to take headache pills (this actually happened) , i'll go and catch up knight and day again this weekend (that might help me to get my mind off this disaster) and will pray to god that give my girlfriend some brains (i am never watching any movie starring pattinson or stewart again) and make this world a better place (by giving people the ability to see the reality that twilight sucks) i cant believe why even i am giving 1 star to this crap, may be because there is no option lower then this

my advice to those who r reading this review, take this very seriously and save your money ,energy and precious time by avoiding this trash»


Delicioso, não é?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Desancamento em Estado de Guerra ou The Hurt Locker

Um dia depois de o filme ter ganho a corrida aos Óscares, resolvi dar uma vista de olhos no IMDB às críticas de "Estado de Guerra" (The Hurt Locker). Bem, tudo que é pessoal que esteve no Iraque ou no exército desanca no filme forte e feio (vejam, por exemplo, aqui).
Eu já vi o filme e, sinceramente, não consigo perceber se gostei ou não; mas enquanto via o filme, também me deu a forte sensação - a mim, que não fui sequer à tropa - que o filme é muito incoerente e pouco realista, tal como esta malta diz, apesar de ser notório que tenta exactamente o oposto, ser um relato intenso e fidedigno daqueles moços no Iraque que desarmam bombas.
Como já disse aqui anteriormente, apesar de ter adorado o filme "Avatar", não foi o melhor filme do ano; mas "Estado de Guerra" seguramente também não! E depois de os ter visto aos dois, e sem o poder dizer com forte convicção, creio que preferia que tivesse ganho o "Avatar". No entanto, muito melhores que esses dois são "Distrito 9" e "Sacanas Sem Lei" - aí sim, o Óscar teria sido bem entregue (aliás, não percebo como é que o Tarantino não ganhou nenhum Óscar, como realizador ou argumentista...)

sexta-feira, 5 de março de 2010

"Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton

N´ O Público, ainda só Luís Miguel Oliveira criticou o novo filme de Tim Burton, e deu-lhe QUATRO estrelas. Estou cheio de vontade de ver o filme. Leiam a crítica de Luís Miguel Oliveira aqui.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Um homem singular"

Pelos vistos, "Um homem singular" é um filmão. Não se pode perder!
N'O Público, o Jorge Mourinha dá-lhe CINCO estrelas (transcrevemos, em seguida, a cua crítica) e o Vasco Câmara, que costuma ser um pouco mais fedúncio, ainda assim lhe dá três estrelas.
Aqui fica a crítica do Jorge Mourinha:

Por: Jorge Mourinha (PÚBLICO)

Um Homem Singular
Um homem, só

Colin Firth é um homem para quem a vida já não faz sentido na extraordinária estreia na realização do estilista Tom Ford. É, dizemos nós, uma obra-prima

Era uma vez um professor de literatura numa universidade californiana, que vive uma sexta-feira normal como se fosse o último dia da sua vida. E, por vontade dele, é-o - porque, desde que o seu amor morreu num acidente de carro, já nada mais faz sentido. Este, então, é o percurso do último dia da vida de George Falconer, cansado de não mais ter ao seu lado quem esperava que o abraçasse e partilhasse a sua vida até ao fim. Uma espécie de "imenso adeus" a uma vida aparentemente encantada - um emprego confortável, um estatuto invejável, uma casa perfeita à esquina do Pacífico, mas que nada significam quando se deve sofrê-los sozinhos, quando se está cansado de procurar pensos rápidos descartáveis que só preenchem o enorme vazio que a morte deixou até a cola desaparecer.

Sempre que há um "penso rápido", um momento de empatia com o mundo, um momento em que George faz uma ligação emocional com alguém, a paleta de cores de Tom Ford explode num voluptuoso Technicolor saído da Hollywood dos anos 1950 e 1960, como convém a uma história que se passa em 1962, no pleno centro do sonho americano do pós-guerra. Mas é, literalmente, sol de pouca dura - tal como a noite se sucede ao dia, também a fotografia meticulosamente precisa de Eduard Grau regressa à dessaturação quase sépia que reflecte a tristeza indizível de um homem a quem foi arrancado, nas palavras de Chico Buarque, um "pedaço de mim".

Que esse "pedaço de mim" seja outro homem, que "Um Homem Singular" adapte um texto fundador da literatura gay assinado por Christopher Isherwood, apenas empresta uma dimensão adicional a um filme que fala de solidão, de luto, de esperança, de vida, de morte, de amor sem nunca os embrulhar em tiques ou truques de militância - porque a emoção central é universal, porque todos nós temos de aprender a enfrentar a perda de um ente querido, marido, mulher, amante, irmã, irmão, pai, mãe.

Há dois milagres no primeiro filme de Tom Ford. O primeiro é esse - conseguir encontrar o universal numa experiência singular, conseguir uma dificílima tradução em imagens de emoções profundas que já todos sentimos mas que nem sempre conseguimos articular.

E o segundo é inseparável do primeiro - é o facto de "Um Homem Singular" ser uma das estreias mais fulgurantes que vemos em muitos anos, de um controle formal e de uma sensibilidade que muitos cineastas mais experientes dificilmente ou raramente atingem. Tanto mais espantosa quanto Ford, um dos mais lendários estilistas da moda dos anos 1990, não tinha nenhuma experiência cinematográfica e não apenas prova saber muito bem o que está a fazer como arranca de Colin Firth, actor de cujo talento nunca se duvida, uma daquelas interpretações arrasadoras para entrar nos livros de referência. Todo em retenção e discrição, sem nunca cair nos opostos do excesso e da ausência, do minimalismo e do histrionismo, Firth ancora com uma segurança quase ofensiva um filme que podia muito rapidamente cair no exercício de estilo estéril.

Mas era preciso que Ford deixasse que isso acontecesse - e rapidamente se percebe que o que interessa ao estilista é contar uma história em vez de fazer pose. Encontrou o elenco ideal para isso (porque não é só Firth que é magnífico, mas também Julianne Moore, divina como há muito não a víamos, ou Matthew Goode) e, no processo, fez uma pequena obra-prima. "Um Homem Singular" pode bem ser um caso único - mas, se o fôr, ainda bem que existe.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Estrada

Mais um filme que estou em pulgas para ver: "A Estrada", de John Hillcoat, baseado no livro com o mesmo título de Cormac McCarthy, autor de, entre outros, "Este País Não é para Velhos", passado para filme em 2007 pelos irmãos Coen (que, como certamente se recordam, arrecadou imenos prémios, incluindo o Óscar de Melhor Filme).
Voltemos a "A Estrada". Baseado na crítica do Jorge Mourinha, n'O Público, que abaixo transcrevo, e de outras críticas no IMDb, parece-me que o filme deve ser excelente.
A minha mãe pretendia ontem ir ao cinema e sugeri-lhe "A Estrada". Ela gostou muito, tanto que foi a correr comprar o livro para mo oferecer (também estou em pulgas para o ler).
Ou seja, com base nas críticas lidas, parece-me que este filme é uma antítese do "2012" (que não vi) e da sua parafernália de efeitos especiais, apesar de o tema ser semelhante. Por outro lado, todas as críticas que li são unânimes no aplauso às interpretações de Viggo Mortensen e do estreante Kodi Smit-McPhee, reclamando-se Óscares, o negrume e ritmo do filme são também geralmente apontados como sendo de grande impacto e qualidade, e, ainda, a adaptação do livro de McCarthy para a tela é dita como sendo muito boa - se não mesmo excelente - por praticamente todos quanto leram o livro e viram o filme.
Sem mais delongas, aqui vai a crítica do Jorge Mourinha:

«O dia do desespero

O filme que John Hillcoat tirou do romance de Cormac McCarthy é uma viagem sem regresso a um mundo pós-apocalíptico onde a humanidade enfrenta o fim da esperança

Enquanto víamos "A Estrada", demos por nós a pensar que o filme de John Hillcoat apenas vai ter uma fracção infinitesimal dos espectadores que assistiram à super-produção de Roland Emmerich "2012". Vai de si: as pessoas hão-de sempre preferir um apocalipse que "encha o olho", cheio de milagres tecnológicos que salvam o futuro da humanidade à última hora, do que um que nos recorde como a nossa existência na Terra é frágil, à mercê dos elementos e, apesar de toda a esperança, sem salvação garantida.

O apocalipse tem sido assunto recorrente no cinema recente, mas o que Hillcoat faz a partir do romance de Cormac McCarthy ultrapassa a fancaria digital de Emmerich ou até a perturbante visão da metrópole abandonada do "Ensaio Sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles. O mundo destruído, moribundo, angustiantemente plausível de "A Estrada" é um daqueles "milagres" que ainda só o cinema consegue criar - um equivalente invertido, cinzento e "flat", da demiurgia Cameroniana de "Avatar".

Não é, no entanto, nessa oposição fácil e gratuita do filme inane de grande espectáculo ao filme intimista de prestígio que reside o discreto triunfo de "A Estrada". Nem no facto do australiano Hillcoat (que apenas conhecemos entre nós do western dos Antípodas "Escolha Mortal", 2005) e do argumentista inglês Joe Penhall terem conseguido adaptar o supostamente inadaptável romance de McCarthy, transcendendo uma pós-produção complicada que viu a estreia do filme, rodado em 2008, atrasada de quase um ano.

Esses factores ajudam, claro, e não é pouco - a par de uma impecável produção artística e técnica (a fotografia cinzenta, dessaturada de Javier Aguirresarobe, o design de produção meticuloso de Chris Kennedy), a par das interpretações assombrosas de Viggo Mortensen e do estreante australiano Kodi Smit-McPhee no papel do pai e do filho que percorrem uma América pós-apocalíptica em busca de uma quimera que talvez já não exista. Mas o verdadeiro triunfo de "A Estrada" é no modo como Hillcoat articula todos esses elementos numa visão angustiante, aterradora, incomodativa, de um mundo morto e sem esperança, onde a humanidade está reduzida a uma selvajaria animal e impiedosa, a uma sobrevivência primal. Onde um homem e um menino procuram, quase como D. Quixote investindo contra os moinhos, manter viva a chama de uma civilização, por mais trémula que ela seja, no mais absoluto negrume.

Hillcoat faz deste mundo perdido em que nos mergulha impiedosamente o palco improvável de uma meditação sobre a herança, a transmissão, a esperança. Inverte de modo hábil as coordenadas habituais do cinema de género e da ficção apocalíptica para as reduzir a um mero esqueleto, amputado de heroísmos e fantasias, do qual apenas resta um instinto tribal de sobrevivência confrontado com um mundo onde todas as referências e padrões desapareceram para talvez nunca mais regressarem e onde o desespero e a morte são perseguidores incansáveis. Talvez haja mais de super-herói neste pai que teima em sobreviver no que em todas as fitas de super-heróis jamais feitas (e não é inteiramente casual que seja Viggo Mortensen, consagrado pelo heróico Aragorn do "Senhor dos Anéis", a entregar-se-lhe com esta paixão). O que reside no fim da estrada que Hillcoat desenha não sabemos, tal como não sabemos o que causou o apocalipse que destruiu a civilização; o que sabemos é que a viagem em que ele nos leva exige um estômago forte (espíritos frágeis, abstenham-se) e nos devolve à realidade singularmente impressionados.
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[Por: Jorge Mourinha (PÚBLICO)]