quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Traques: um drama conjugal

Não sei porquê, ando a dar traques verdadeiramente assassinos, ninjas, até: não se ouvem, não se percebem, mas são terrivelmente mortíferos, dum grau de fedorentice indizível. E isso está-se a transformar num verdadeiro problema conjugal. Porquê?
Explico.
Sempre fui muito traquento, como, aliás, é dever do estereótipo do homem. Mas sempre foram traques dos mais engraçados, muito barulhento e com sons cómicos, mas sem cheiro, ou, a tê-lo, nada de relevante.
Sucede porém que, agora, desde há relativamente pouco tempo, não tendo alterado nada na minha dieta quotidiana, passei a dar os tais traques-ninja. Ora, a minha senhora tem nariz de sabujo, tem um olfacto quase tão bom como o do tubarões, que detectam uma gota de sangue numa piscina olímpica (apesar de eu nunca ter visto tubarões em piscinas olímpicas, mas pronto). Acho que ela teria até futuro numa qualquer brigada antidroga, a farejar, junto com os cãezinhos, para encontrar droga escondida nos aeroportos - e aposto que se sairía tão bem que até despediam os cães.
Mas voltemos aos traques-ninja. Como já devem ter percebido, não são, de todo, compatíveis com uma esposa com super-olfacto.
A isto acresce que só à noite é que tenho necessidade de soltar essas funestas ventosidades. A minha senhora zanga-se comigo, reclama histericamente e manda-me ir dá-los à casa de banho. Mas, como quem é traquento como eu bem sabe, sempre que se chega à casa de banho a vontade desaparece, ressurgindo imediatamente e em força quando se volta para o quarto, designadamente para a cama. E a vontade é tão constante e repetitiva que, se fosse à casa de banho sempre que dá vontade de dar um peido, não dormia! (Sim, que eu sou bem mandado e obediente e corro sempre que posso à casa de banho para me deslargar).
Ontem dei um traque no quarto do meu filho e fugi para o meu, na esperança de que aquele apanhasse com as culpas. Pois bem, os meus traques são tão imensos e tão terríveis - logo, tão personalizados - que ouvi do quarto do miúdo a minha gaja dizer: "Ui, o papá esteve aqui e deu um pu?" - e, claro, o puto chibou-me. Ela voltou a zangar-se comigo por não ter ido à casa de banho, e eu zanguei-me com ela porque isso de ir constantemente à casa de banho sempre que me dá vontade de me peidar está tornar-se num verdadeiro handycap!!! Para além de que não quero que ninguém saiba, porque é embaraçoso!
Juro que nunca pensei ter problemas conjugais e familiares devido a flatos...

2 comentários:

  1. Eu acho que à condição máscula vem agregada a chamada "license to traque".
    Tenta explicar isso à esposa.

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  2. Onde eu ja vi isto!?
    afinal não ha gajos diferentes...
    ha, simplesmente, gajos em serie!!!

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